
Moçambique
Minas de ouro, marfim abundante e, mais tarde, o lucrativo comércio de escravos foram alguns elementos que transformaram Moçambique em um atraente alvo de conquistas de vários países que, ao longo dos séculos, configuraram o caráter da nação.
Situado no Sudeste da África, foi descoberto por Vasco da Gama com sua armada em 1498. Em 1502, o navegador português fundou uma feitoria na ilha de Moçambique. Quatro anos depois, os portugueses apoderaram-se da ilha para explorar a região rica em ouro, e, para maior êxito, tentaram cristianizar aquela população. O jesuíta Gonçalo da Silveira chegou a converter o rei Motota (monomotapa - mais conhecido como "senhor das minas"), mas foi estrangulado na ocasião em que os ameaçadores comerciantes convenceram o rei de que as intenções religiosas do jesuíta eram hostis.
Durante o reinado de D. Sebastião, os portugueses apelaram para a força e, em 1569, enviaram para o Rio Zambeze uma força expedicionária de mil homens, sob o comando de Francisco Barreto, antigo governador-geral da Índia. Dizimada por epidemias e pela hostilidade dos mouros e aborígines, a expedição encerrou-se seis anos depois.
Até o século 19, porém, o vale do Zambeze e a região do monomotapa continuaram a mobilizar Portugal, que em 1629, no reinado de Filipe III, depôs o monomotapa reinante e colocou em seu lugar um parente dele, Mavura, batizado com o nome de Filipe. Com a ascensão do changamire Gurushawa, os portugueses foram expulsos sem terem atingido seu objetivo. Com isso, iniciou-se uma guerra contra os portugueses.
É quase impossível imaginarmos que um país tão rico naturalmente, possa ter-se tornado um dos países mais pobres do mundo. Isso se deve aos quase 20 anos de guerra civil entre a Frente de Libertação de Moçambique, de orientação marxista, e a Guerrilha Anticomunista da Resistência Nacional, que deixaram 1 milhão de mortos e graves conseqüências sociais.
Desde o final do conflito em 1992, o país tem lutado pela reestruturação da economia, que possui um grande potencial na pesca, na extração de gás, na mineração e na exploração madeireira. No entanto, a atividade produtiva, dependente de ajuda externa, não é suficiente para absorver a mão-de-obra, e cerca de 80% dos habitantes praticam a agricultura de subsistência.
Religião
A população rural aderiu às práticas tradicionais africanas - culto aos espíritos dos animais e ancestrais, uma prática bastante difundida, principalmente, entre os analfabetos. Historicamente, a população de Moçambique aderiu ao islamismo que, talvez tenha sido a primeira religião a penetrar no território. Com a chegada dos portugueses, o país recebeu também influências do catolicismo e do protestantismo. A prática dessas religiões começou a incomodar o governo, tanto que, durante os anos em que o regime esteve em vigor (entre 1975 e meados da década de 80), a prática de convicções religiosas foi proibida e houve perseguições.
Embora as manifestações religiosas tenha sido suprimidas pelo governo, praticamente todas sobreviveram. Em 1988, exatamente no período de transição de um regime democrático, o Ministério da Justiça criou o Departamento de Negócios Religiosos, responsável por registrar e estabelecer relações com várias igrejas.
Em 1995, aproximadamente 300 grupos religiosos já haviam sido registrados pelo Departamento de Negócios Religiosos. Um número que tem crescido gradativamente, graças aos missionários, que abrem mão de uma vida cômoda com a família em suas pátrias, para irem falar de Jesus. Hoje, em Moçambique, há centenas de missionários, dos quais uma grande maioria é proveniente do Brasil.
Dados gerais
Área: 799.380 km2
Capital: Maputo
Nacionalidade: moçambicana
População: 19,3 milhões
Analfabetismo: 60%
Idioma: português (oficial), ronga, changã, muchope
Religiões: tribais 47,8%, cristianismo 38,9% (católicos 31,4%, evangélicos 7,5%) e islamismo 13%
Governo: República com forma mista de governo.
----------------------------------------------------------
Índice do ranking da ONU segundo a renda per capita, sistema educacional, o atendimento médico e a expectativa de vida
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), elaborado pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, vem sendo divulgado anualmente desde 1990 e inclui todos os países para os quais há dados estatísticos disponíveis. Noruega, Islândia, Austrália, Irlanda e Suécia aparecem como os melhores países do mundo para se morar enquanto a qualidade de vida na África continua a cair devido à Aids, revelou na quinta-feira um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU).
A lista de 177 países termina com Níger. Acima dele estão Serra Leoa, Mali, Burkina Fasso, Guiné-Bissau, República Centro-Africana, Chade, Etiópia, Burundi, 169º Moçambique e República Democrática do Congo, que ficou no 167º lugar.
|